Glória, crise e futuro: Carlos Alberto, vida e jogo junto ao Atlético Roraima

02/03/2016 14:04

Glória, crise e futuro: Carlos Alberto, vida e jogo junto ao Atlético Roraima

Sempre perto do maior campeão de estaduais de RR, Carlos Alberto conta décadas dedicadas ao Tricolor da Mecejana: "o futebol roraimense para mim acabou em 1996"

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)

Carlos Alberto era considerado um dos melhores jogadores de RR à época; com ele tinha casa cheia (Foto: Acervo pessoal)

Dia 1º de outubro de 1944, nascia um dos mais tradicionais clubes do futebol roraimense. O Atlético Roraima. Criado a partir de tradicionais famílias de Roraima, foi apelidado de "Clube dos Milionários", cujos fundadores seriam na maioria fazendeiros e comerciantes de Boa Vista-RR. Dos áureos tempos, o Tricolor da Mecejana, pela tradição, e por ser o clube com o maior número de títulos estaduais, vinte ao todo, entre amadores e profissionais, revelou figuras do futebol, entre elas Carlos Alberto, que se confunde com a história do clube nas últimas décadas.

 

01 - De Manacapuru a Boa Vista

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)Jornal destaca a competência do jogador, citado como craque; Anos depois assume a presidência do clube (Foto: Acervo pessoal)

Natural de Manacapuru, no Amazonas, Carlos Alberto chegou à Boa Vista, em meados de 1979, com 15 anos de idade. Como diz, era peladeiro e veio conhecer o futebol em Roraima. Mal chegou e firmou história no futebol roraimense. Foi campeão três vezes pela seleção infanto-juvenil e cinco vezes pela seleção juvenil.

- Fui mandado buscar pela família Pinho, Cruz e pelo governador Arídio Martins de Magalhães, na época. Como era território federal e eu era de menor, tinha que ter alguém que pudesse me buscar - disse.

Em solo roraimense, cresceu como jogador e ajudou o Tricolor da Mecejana a ser um dos mais vitoriosos da região. Carlos Alberto afirma que jogou ao lado de celebridades como um dos símbolos do Flamengo, o jogador Zico, e que esteve em campo com o goleiro Leão, Toninho Cerezo e Paulo Isidoro, nas idas e vindas do Roraima, nesse meio tempo, colecionou títulos.

- Fui campeão roraimense em 1979, perdemos o estadual em 1980, em 1981 fui emprestado para o River para o Copão da Amazônia, no Acre, onde fui vice-campeão. Ao voltar, também em 1981, fui campeão estadual pelo Atlético Roraima. Em 1982 perdemos para o Baré e ficamos com o vice. Em 1983 fui emprestado para o Baré, onde fui campeão do Copão da Amazônia, no Acre. No máximo passávamos uma ou duas semanas e éramos campeões de novo, isso até chegar ao profissional.

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)
Atlético Roraima participa de campeonato realizado na Guiana, em Georgetown (Foto:
Acervo pessoal)

- Quando foi inaugurado o Estádio Ribeirão, o próprio Raimundo Ribeiro de Souza falava que fui no Acre e dei aula de futebol. Há um jornal que fala dessa passagem. Fomos para o Acre em 2008, e tive minutos de 'celebridade', chegava nas festas e parecia que havia chegado o Romário, o Zico - brinca, Carlos Alberto.

 

02 - Glória no profissional

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)
Em ação pelas cores do Tricolor da Mecejana,
em Roraima (Foto: Acervo pessoal)

Em 1995, Carlos Alberto passou dois anos morando em Georgetown, na Guiana, onde jogou no 'time do Pelé', clube da região. Voltando, atuou no Atlético Roraima no primeiro ano em que o clube se profissionalizou.

- Fui o primeiro campeão profissional de um estadual. Em 1996 perdemos, em 1997 fomos novamente campeões. Em 1999 perdemos, em 2000 fomos vice e foi quando parei de jogar como profissional. De 2001 até 2003 fomos campeões. Fui campeão em 2007, 2008 e 2009. Em 2010 fomos vice, em 2011 ficamos em terceiro lugar, em 2013 em quarto lugar e em 2015 ficamos em quarto lugar novamente.

 

03 - CRISE: Pendurando as chuteiras

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)
Durante partida (ao centro) realizada no saudoso estádio Flamarion Vasconcelos, o Canarinho (Foto: Acervo pessoal)

Depois da fase de boleiro e craque, Carlos Alberto voltou-se ao clube, agora nos bastidores. Após parar de atuar como jogador profissional, virou vice-presidente. Em 2006, o presidente, à Época, Ramiro, queria deixar o clube e não havia quem pudesse assumir a presidência.

- O Atlético Roraima iria parar, não havia quem toma-se de conta. Em 2007 assumi o clube. O problema é que o Roraima não tem torcedor. E os que tinham foram morrendo e os filhos e as esposas não transferiram, não perpetuaram a torcida, abandonaram o clube. O Atlético Roraima era um time só de fazendeiros. Diziam que era um time rico daqui. Tentei segurar o pepino. Em 2007 tivemos uma ajuda do governo estadual, ajudava, mas não solucionava.

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)
Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)

Sem rodeios, e mirando sobre os rumos do futebol roraimense desde que virou profissional em 1995, Carlos Alberto expõe sua versão do por quê o futebol local não alçar grandes voos.

- O futebol roraimense para mim acabou em 1996, quando passou a ser profissional. Nenhum clube daqui tem condições de botar um time em campo. Sabe por que um presidente de clube daqui coloca um time em campo? Por que o presidente da Federação Roraimense de Futebol ajuda. Se eles [dirigentes] estão aperreados, ele vai lá e dá uma força. Os clubes não pagam taxas, tudo é por conta da Federação que se comprometeu e paga para os clubes. Ninguém tem R$ 40.000 no bolso para pagar um time - desabafa.

Sobre as críticas a Federação Roraimense de Futebol, que seria 'responsável' pelo futebol não crescer em Roraima, rebateu.

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)Troféu de campeão estadual (Foto: Acervo pessoal)

- Quem diz isso é por que não sabe a verdadeira história do futebol roraimense. O nosso profissional ainda está engatinhando e precisa de ajuda. O futebol só sobrevive devido a ajuda da Federação Roraimense de Futebol. Fora o que cada um se vira, um clube realiza ali uma rifa, outro corre por fora. Não tem segredo. As empresas aqui não dão conta. Algumas ajudam e apoiam mas não é sempre. E também é algo que entendemos, pois se entra algo e não se tem um retorno financeiro é difícil.

O comandante do Atlético Roraima pretende elevar o clube na próxima temporada. Visando implantar estrutura no clube e trabalhar com escolinhas de futebol.

- Temos uma escolinha de futebol, mas levamos do jeito que pode. Não cobramos. Nós não temos sede, não temos campo, não temos nada. Tenho certeza que muita coisa mudará em 2016. O Atlético Roraima é minha família. Um irmão que eu nunca tive. Cheguei aqui e fui muito bem acolhido.

 

04 - Futuro

Atlético Roraima (Foto: Acervo pessoal)"Atlético Roraima é minha família" (Foto: Acervo pessoal)

No dia 5 de dezembro, o Atlético Roraima fará um jogo de apresentação contra a Seleção Brasileira de Master, craques que fizeram história como Túlio Maravilha, Edilson Capetinha, Biro-Biro, Mauro Galvão, Viola e o arbitro Margarida farão uma partida no Estádio Ribeirão, às 16h30.

- Eles contribuíram com o nome e com o suor para o futebol brasileiro. De uma lado o Atlético Roraima, que deu alegrias para o povo roraimense, e de outro jogadores que alegraram o Brasil.

Sobre onde estará Carlos Aberto após deixar a presidência do clube, disse que nas arquibancadas, próximo, não tão distante que não veja o lateral cruzar e não tão perto, pois ai pode ser impedimento.

- Sempre estarei próximo, se não como presidente, mesmo que consiga uma pessoa para assumir o clube, estarei na arquibancada como torcedor.